Quando eu tinha 4 anos
existiam trilhões de coisas das quais eu me questionava. Cresci e elas diminuíram,
agora, aos 22, tenho apenas bilhões. Me parece que a vida realmente gosta de
mudar as perguntas, Veríssimo. Embora muitas respostas se repitam, sinto que algumas
não são muito alcançáveis, e eu não sei ainda ao certo como lidar quando as
coisas parecem distantes demais – ou quando a gente simplesmente precisa subentendê-las.
Essa é uma questão. Hoje é um sábado do último mês 2019 e eu só queria pintar o
meu cabelo – saída superficial de emergência pra sentir que, de fato, a vida
sempre se renova. Ontem eu queria viver um dia de aventuras. Semana passada eu
só queria olhar pras paredes brancas do meu teto e apreciar o não fazer nada. Mês passado eu queria acertar as 40 questões que podiam mudar um ano inteiro. Aos
4 anos eu queria salvar o mundo igual a astronauta do filme e comer manga com
as mãos na calçada de casa nas horas vagas. Amanhã eu preciso acordar. Semana
que vem eu preciso viajar pra fazer uma prova. Ano que vem preciso ser
aprovada. Desde que desisti de ser astronauta tem sido assim, inúmeras viagens
pra descobrir alguma galáxia que me caiba, que me aceite assim como eu a aceito.
Por sorte, ainda posso comer manga na calçada nas horas vagas. Dentre as
bilhões de questões que tenho pra responder (mais algumas 90 do próximo fim de
semana), entender a relatividade do tempo em cada percurso e as escolhas
diárias que rodeiam o meu querer são as interrogativas que mais me guiam nessa
busca pela palavra, pessoalidade e pontuação que compõem a resposta certa.
o que eu ouvi enquanto escrevia:
https://www.youtube.com/watch?v=pZ3b1a2OnhQ&list=RDMMb7sWNI0JjAg&index=7