Há
dias preenchidos demais em que, estranhamente, alguns vazios gostam de gritar,
e nem sempre é fácil entender o que exatamente querem(os) nos dizer – é por
isso que estou tentando escrever. Talvez seja a falta de uma paixão – por algo
ou alguém; talvez seja aquela saudade paterna convencida de que não está ali;
talvez seja só a falta de luz nessa sala da casa de vovó ou ainda essa solidão que
a conversa na mesa deixa escapar. Mas provável mesmo é de ser esses óculos
caídos, esse campo de visão restrito, essa miopia um tanto pessimista de uma
noite em que minhas lentes de gratidão deixaram a desejar.
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