quinta-feira, 6 de julho de 2017

Os óculos da menina estão quebrados, como de outra vez. Sei disso porque não a vi caminhar esses dias - sua caminhada preferida e diária é até onde ela se alcança. Todo dia um km ou m ou cm ou mm que seja a mais. As várias descobertas felizmente ao acaso são suas melhores companhias. Mas como uma boa míope, logo entendi a sua falta. Ora, como poderia seguir estrada sem suas lentes divergentes? Divergem de tudo que, ao coração, lhe desvia de sua rota. Rota essa que também é uma constante serendipidade. Mas como parece arriscado e receoso ir longe sem conseguir enxergar bem. Sem divergir dos desvios por não conseguir identificá-los à uma distância segura.
Por sorte, essa não é a primeira vez que ela precisa renovar seu fiel companheirinho de caminhada. Quero dizer, ainda que ansioso, já não é tão desconhecido o caminho de paciência pelas novas lentes. É certo que quando chega o novo, tudo que a vista alcança fica ainda mais vivo. Seja na sua rota ou não, descobertas à esperam. E eu também.

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