sábado, 7 de dezembro de 2019

4 anos


Quando eu tinha 4 anos existiam trilhões de coisas das quais eu me questionava. Cresci e elas diminuíram, agora, aos 22, tenho apenas bilhões. Me parece que a vida realmente gosta de mudar as perguntas, Veríssimo. Embora muitas respostas se repitam, sinto que algumas não são muito alcançáveis, e eu não sei ainda ao certo como lidar quando as coisas parecem distantes demais – ou quando a gente simplesmente precisa subentendê-las. Essa é uma questão. Hoje é um sábado do último mês 2019 e eu só queria pintar o meu cabelo – saída superficial de emergência pra sentir que, de fato, a vida sempre se renova. Ontem eu queria viver um dia de aventuras. Semana passada eu só queria olhar pras paredes brancas do meu teto e apreciar o não fazer nada. Mês passado eu queria acertar as 40 questões que podiam mudar um ano inteiro. Aos 4 anos eu queria salvar o mundo igual a astronauta do filme e comer manga com as mãos na calçada de casa nas horas vagas. Amanhã eu preciso acordar. Semana que vem eu preciso viajar pra fazer uma prova. Ano que vem preciso ser aprovada. Desde que desisti de ser astronauta tem sido assim, inúmeras viagens pra descobrir alguma galáxia que me caiba, que me aceite assim como eu a aceito. Por sorte, ainda posso comer manga na calçada nas horas vagas. Dentre as bilhões de questões que tenho pra responder (mais algumas 90 do próximo fim de semana), entender a relatividade do tempo em cada percurso e as escolhas diárias que rodeiam o meu querer são as interrogativas que mais me guiam nessa busca pela palavra, pessoalidade e pontuação que compõem a resposta certa.

o que eu ouvi enquanto escrevia:
https://www.youtube.com/watch?v=pZ3b1a2OnhQ&list=RDMMb7sWNI0JjAg&index=7

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