O ônibus estava razoavelmente cheio naquela volta pra casa de um dia cansativo. Aparentemente, o ruído de fora não conseguia alcançar a correria dos pensamentos aqui dentro. Eu seguia o meu percurso sentada ao lado de um desconhecido que também parecia concentrar-se no fabuloso correr dos dias ou de suas preocupações - ou ainda do ônibus.
Nada parecia tirar a minha atenção em mim mesmo até aquela música entrar pela minha janela e me fazer olhar pra fora a procurar. Uma garota e sua escaleta seguiam sem mais conversas a calçada daquela avenida espalhando calmaria despretensiosamente. Não, não era daqueles que entravam no ônibus - também encantadores - e pediam a nossa contribuição.
Ela estava do lado de fora e só queria contribuir. Do lado de fora daquela nossa bolha, do lado de fora que quase ninguém olha, que quase ninguém para pra ouvir - ou pra ser. Os olhares ao meu redor logo a diagnosticaram, mas eu entendi tudo.
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