domingo, 13 de dezembro de 2015

De passagem

[escrito ao tom do coração]


Sáb. 15/08/2015 00h53

Hoje a menina tirou os seus óculos para ver. Ou o universo conspirou para que a velha armação se quebrasse naquele momento - meio de estrada; caminho novo. Talvez para vê-la se deixar ir. Ou até onde ir. E, ainda que com o horizonte embaçado, orientar-se. Usando tão somente as únicas lentes que a restavam agora: o coração. E assim conseguir ir ao ponto. Subir os poucos degraus daquele ônibus. E chegar a outro ponto. Perder o ônibus - mas avistar mais chegadas logo em seguida. E avistar mais pontos. Mais destinos. Era só o começo daquela viagem. Foi o mar visto da janela que anunciou esse prelúdio quando fez a menina visualizar a beleza do pôr do sol que por ali, assim como ela, também passou - em instantes já estaria pronto para renascer. Concluiu ali: estamos só de passagem por cada  eterno instante que nos prepara à coragem do renascer. E assim terminar o dia sabendo o caminho de volta para casa. Todas elas. Descobrindo até mais caminhos do que o previsto. Deixando ainda se molhar pela chuva que chegou casualmente ao descer do ônibus, podendo sentir o calor de cada gota que a tocou - ainda que estas não a aquecessem tão suficientemente quanto a voz de chuva que a menina me contou outrora. Aquela que vem su(avizar). Avisar que há outros lados do tempo-ral para sentir. Para olhar. Ou simplesmente ver a chuva cair. Vê-la tocar. E vê-la também, como tudo, passar. 

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