Ela me contou que outro dia a viram pela estrada sem os óculos, haviam caído e ela se permitiu seguir o caminho sem eles: quem sabe a caminhada não seria mais clara e próxima como as suas luzes do quinto andar? Seguiu... Mas não demorou a ouvir os sussurros dos gritos: você está na contramão. Ela me disse que olhou em sua volta enquanto o medo a aconselhava colocar os óculos e a oferecia uma carona pra certa mão. Percebeu que as ruas de dentro e de fora já anoiteciam. Era preciso decidir. Era preciso encontrar um foco pra não se perder... Não havia luzes ali. Foi então que, felizmente ao acaso, alguém também estava de passagem por ali e seguia na mesma direção... gentilmente permitindo que a sua luz refletisse nos olhos da menina. Ela estava sem óculos: a imensidão da luz que refletia iluminava toda a margem da sua direção. Das suas ruas. E assim, não demorou o medo a se esvair com o macio dos sussurros que chegaram junto com o reflexo da luz... O que se ouvia era somente o tom sereno da voz de chuva daquele alguém. De chuva que chega pra colocar pra dormir o cansaço da caminhada e acordar os sonhos. E lava. E escorre um sentido... Fazendo-a enlarguecer o sorriso ao perceber que não havia contramão naquela estrada. Não se ouvia falar de partidas. Não se queria e não era preciso. Porque era somente de ida. Chegadas. Idas e chegadas pro coração.
domingo, 14 de junho de 2015
À luz da miopia
Quando o entardecer anoitece a cidade, do décimo quinto andar é possível ver o limite [se é que ele existe] entre as luzes das ruas de dentro e de fora. Isso foi a menina quem me contou. Dessa vez, a menina descobriu felizmente ao acaso [já que seus óculos de dois graus e meio teimam em cair inusitadamente quando ela está distraída a viver] que as luzes da cidade são mais bonitas quando enxergadas fora de suas lentes artificiais. Sua miopia foi diagnosticada. Mas não importa o quanto ela ouça diagnosticarem por aí a exatidão da beleza do mundo quando se está com os óculos. As luzes são mais claras; mais intensas; sem os óculos; por vezes, misturam-se e perdem-se umas nas outras, mas com um pouco de concentração elas voltam pro seu lugar; [se é que há lugar marcado; é céu. é mundo]. O fato é que não importa a bagunça do lugar em que as luzes estão sendo vistas pelos olhos defeituosos da menina, elas serão sempre maiores e mais próximas dela quando seus óculos caírem - até que ela aprenda a tirá-los sozinha.
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Um texto de deliciar os que amam a literatura da modernidade, mas vamos reduzir Nicolas Sparks, Green, J.K. Rowling, George R.R. Martin, Chbosky (do livro que você me fez ler kk), vamos dar uma temperada com Victor Hugo, Shakespeare, Machado (etc) para contrabalancear. Você tem a pena (talento) e o tinteiro (tempo- "Somos tão jovens"). Seja a melhor, abraço fraterno!
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